Edição # 29 | Ano 03 | Fevereiro 2022
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Digital

Revolução Tecnológica

Paulo Basso Jr.
Aplicativos, robôs, internet das coisas e ferramentas com inteligência artificial têm contribuído para que o trabalho no campo seja mais produtivo e ecológico, além de permitir que o agricultor tenha um controle maior sobre todas as áreas da agropecuária

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É impossível imaginar o mundo atual sem os equipamentos tecnológicos. A revolução digital tem transformado todas as áreas, inclusive a agropecuária. Seja por conta dos aplicativos que permitem um maior controle sobre a saúde dos animais e da terra, ou pelos robôs inteligentes que ajudam na produção, o trabalho no campo tem se tornado mais conectado, produtivo e ecológico.

Embora já haja diversas soluções utilizadas, a revolução digital na agricultura ainda está em um estágio inicial. A tendência é que haja uma grande expansão nas próximas décadas, o que vai alterar completamente o cenário da produção agrícola. A edição 2019 da feira Digital Agro, que é uma das principais de tecnologia no agronegócio do Brasil, foi realizada no último mês de julho e trouxe algumas das principais inovações do setor que serão implementadas nos próximos anos.

Se hoje os aplicativos já têm feito com que o agricultor tenha acesso a mais dados sobre a saúde de seus animais de plantações, daqui a poucos anos ele conseguirá também comandar tratores, roçadeiras e pulverizadores por meio de um tablet ou computador, que também vai concentrar dados sobre as condições da terra dos animais.

 

Pode parecer coisa de filme, mas a indústria agro tem acompanhado todas as inovações tecnológicas, implementando essa revolução digital na vida de quem trabalha no campo

Pode parecer coisa de filme, mas a indústria agro tem acompanhado todas as inovações tecnológicas, implementando essa revolução digital na vida de quem trabalha no campo

Conectividade

O conceito de agricultura inteligente (ou smart farming) tem sido aplicado por agricultores do Brasil e da América do Sul. Ele nada mais é que a utilização de ferramentas digitais no agronegócio, como sensores, GPS, drones, Big Data e aplicativos. Por meio da tecnologia, os campos conseguem melhorar a produtividade em 25%, além de reduzir os insumos em 20%, de acordo com um estudo encomendado pelo BNDES ao instituto McKinsey.

Embora ainda seja uma etapa inicial, o processo de revolução tecnológica no campo é inevitável. Algumas ferramentas, como o Agrosmart, coletam os dados de toda a plantação, armazenam as informações na nuvem, e ainda conseguem orientar com precisão sobre quando é o momento certo de colher, plantar, utilizar o maquinário ou irrigar o solo.

Outra ferramenta, o Smartmilk é voltado para quem precisa administrar a produção de leite. Com ele é possível adicionar uma ficha com as informações do animal, ver como está a sua saúde, saber qual fertilizante é mais indicado, além das informações sobre a situação financeira do negócio.

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Embora já haja diversas soluções utilizadas, a revolução digital na agricultura ainda está em um estágio inicial. A tendência é que ocorra grande expansão nas próximas décadas, o que vai alterar completamente o cenário da produção agrícola

Veículos autônomos

No últimos anos, as principais montadoras automobilísticas têm procurado desenvolver carros com a tecnologia de direção autônoma. Entretanto, a indústria da agricultura também está investindo em veículos que rodam sem a interferência humana. Um estudo feito pelo EnoCenter for Transportation estima que um modelo com essas características estará pronto até 2025.

Como já há alguns conceitos utilizando tecnologia autônoma rodando pelo mundo, o mais provável é que esta previsão se concretize. Em 2017, durante a Agrishow, uma das maiores feiras nacionais do setor, a Case IH, empresa do grupo Fiat, revelou o seu protótipo de trator autônomo. Com visual invocado e moderno, o modelo é baseado no Magnum, mas não tem cabine e executa suas tarefas sem ninguém ao volante — que sequer existe.

Entretanto, esse conceito pode ser comandado por meio de um smartphone ou computador, por exemplo, além de ser capaz de realizar tarefas sem a interferência humana. Outra gigante do setor, a Jacto Agrícola também acredita que o futuro do agronegócio será autônomo. A companhia tem investido em pesquisas e no desenvolvimento de protótipos. Segundo a empresa, ainda não é possível calcular o quanto esses veículos podem impactar a vida no campo, mas ela acredita que, independentemente disso, o resultado será positivo. Isso porque uma máquina com essa tecnologia é capaz de trabalhar por um longo período na lavoura, parando apenas para reabastecer e realizar as manutenções necessárias. Dessa forma, a previsão é que haja redução no tempo de realização das tarefas.

Além da tecnologia autônoma, a questão sustentável também tem sido estudada. Há protótipos movidos com energia solar em testes pelo mundo. Com isso, seria possível ter no campo veículos mais limpos e que poluem menos o meio ambiente.

Agricultura 4.0

Outra tecnologia em alta nos campos, a Internet das Coisas (ou IoT, do inglês Internet of Things) também promete integrar cada vez mais agricultores, veículos e lavouras. Para que os modelos autônomos consigam otimizar a colheita e reduzir riscos de acidentes, por exemplo, é necessário que eles sejam capazes de conversar entre si. Dessa forma, todas as etapas da produção estarão conectadas, o que vai evitar perdas e contratempos na plantação e colheita.

Como esses veículos são equipados com sensores, radares e GPS, eles geram uma grande quantidade de dados. Essas informações podem ser compartilhadas com as outras máquinas, que repassam diretamente para o operador. Dessa forma, ele consegue ter um panorama completo de toda a sua cadeia produtiva, que estará integrada e será, portanto, mais fácil de ser controlada.

Todas essas tecnologias esbarram no conceito da indústria 4.0 — ou agricultura 4.0, já que se trata da vida no campo. Ele já tem sido implementado nos campos e tem como principais pontos a gestão baseada em dados, produção a partir de novas ferramentas e técnicas, sustentabilidade e profissionalização.

O uso de drones, aplicativos, GPS e telemetria são alguns dos métodos já utilizados. Entretanto, com o desenvolvimento da automação e da robótica, cada vez mais as máquinas vão estar conectadas com o campo e o agricultor, melhorando a qualidade da produção e a questão sustentável.

A revolução tecnológica tem impactado todas as áreas de produção. Era inevitável que ela não atingisse o agronegócio também, assim com a Revolução Industrial mudou o trabalho no campo com a introdução das máquinas. Hoje a conectividade é muito maior que a da década passada, e a tendência é de um forte crescimento nos próximos anos, com cada vez mais recursos sendo disponibilizados para o agronegócio.

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